Smart Cloud – a inteligência que vem da nuvem

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por Martha Gabriel em 14/05/2018

Migrando cada vez mais rapidamente da ficção para a realidade, os sistemas de inteligência artificial (AI) têm passado a fazer parte das nossas vidas em todas as suas dimensões – de assistentes pessoais (como o Google Home, por exemplo) a sistemas de predição (tempo, bolsa, comportamentos). Alguns exemplos simples que mostram o quanto a AI já está influenciando o nosso cotidiano há anos são os filtros de spam (que aprendem como discernir entre os e-mails que são relevantes e necessários e os que não são) e os aplicativos de mapas que sugerem rotas baseados nos nossos padrões anteriores de caminhos e nas condições do trânsito em cada momento.

No entanto, para que essa inteligência de sistemas nos auxilie em qualquer situação de tomada de decisões, ela precisa estar disponível o tempo todo, ser confiável e rápida. Por exemplo, nós usamos o Waze porque ele está disponível 24×7, processa rapidamente e tem alto grau de acerto nas rotas que traça – se qualquer uma dessas condições não fosse atendida, a sua utilidade seria limitada. Até recentemente, duas dessas características – disponibilidade e rapidez – se tornaram possíveis com o advento da cloud. A confiabilidade ficava por conta do sistema em si e de seu desenvolvedor. Assim, os componentes de inteligência de cada aplicação, como o Waze, não faziam parte da estrutura da cloud, mas sim do sistema. Agora, o cenário está mudando e a cloud está ficando também inteligente, podendo contribuir com a inteligência (confiabilidade) da solução, com um potencial imenso de alavancar processos inteligentes para todo tipo de aplicação – bem-vindos à era da smart cloud, a inteligência que vem da nuvem.

Inteligência Escalável

Traçando um paralelo entre os cérebros humano e artificial, da mesma forma que a inteligência humana precisa de uma estrutura cerebral formada de massas cinzenta, onde os nossos neurônios realizam o seu processamento, também a inteligência artificial precisa de uma estrutura cerebral artificial para que possa acontecer.

Se considerarmos a jornada de evolução das tecnologias computacionais desde a sua mais pura origem, cada etapa tem mirado em melhorar a performance do cérebro artificial por meio da ampliação das suas capacidades de 1) conexão (fluxo de dados) e 2) processamento (capacidade e rapidez em processar dados). Nesse caminho, o primeiro passo foi migrar do mainframe hermético, isolado, para as arquiteturas client/server, mais abertas e conectadas favorecendo a distribuição de dados. De client/server para mobile, passamos a ganhar não apenas conexão, mas também melhorias na capacidade de processamento. A mesma internet que estruturou o mobile, alavancou a cloud, que adicionou dimensões de flexibilidade, escalabilidade e disponibilidade ao processo.

A cloud tem se configurado como o ambiente natural da inteligência artificial conectada, formando uma “massa cinzenta” artificial onde processadores, conexão e componentes inteligentes interagem para “pensar” e “solucionar” problemas. No cérebro humano, quanto melhores forem as conexões e qualidade da sua estrutura, melhores tendem a ser os processos de pensamento. No caso da inteligência artificial, ocorre o mesmo — a qualidade das conexões e estruturas que formam a cloud afeta diretamente a sua performance, ou seja, quanto maior a sua qualidade, maior o seu potencial de abrigar “inteligência”.

No entanto, diferentemente do cérebro humano que tem tamanho e capacidade fixos, a smart cloud pode dimensionar o tamanho do seu cérebro artificial de acordo com a necessidade. Assim,

a cloud evoluiu de um repositório de sistemas e dados para um repositório de inteligência escalável.

Valor Google Cloud

Para discutir as possibilidades que a cloud inteligente pode oferecer para os negócios, o Valor Econômico & Google Cloud realizaram em São Paulo, no último dia 24, o Valor Cloud Forum. No seminário, Miles Ward, diretor de arquitetura do Google Cloud, apresentou soluções inteligentes da Google, seguindo-se um painel de debates comandado por João Luiz Ferreira Rosa, jornalista do Valor.

Ward enfatizou que a inteligência que a Google tem usado em seus produtos na cloud – como Google Search, Gmail, Google Maps, Translate, Google Photos, YouTube, Google NowGoogle Assistant, entre outros – está disponível também para o mercado por meio da sua plataforma TensorFlow – o coração de inteligência da Google –, que é open source desde 2015 e se tornou o pacote de Machine Learning mais popular do GitHub. Além de abrir o código, a Google liberou também modelos de utilização para criação de aplicativos inteligentes (como chatbots, por exemplo, que usam NLP (Natural Language Processing)) e treinamentos gratuitos de AI para desenvolvedores.

Para completar as suas soluções inteligentes, a Google oferece o Google Cloud, um sistema de hospedagem com condições ideais para suportar sistemas de AI, que inclui os TCUs (Tensor Processing Unit), chips especiais para garantir performance de sistemas de Machine Learning. 

No painel, composto por Sergio Paulo Gallindo (presidente da Brasscom), Roberto Martini (CEO da FLAGCX) e Fabio Andreotti (diretor Google Cloud Brasil), o foco foi em Transformação Digital de Negócios e como aumentar a inteligência das empresas. Podemos destacar como principais insights:

  1. A inteligência artificial vence a intuição humana — não existe mais espaço para achismos.
  2. A Inteligência Artificial é estatística “on steroids” — evolução da estatística. Se você consegue aplicar estatísticas a seus dados, também consegue aplicar Machine Learning;
  3. O primeiro passo para iniciar qualquer aplicação de Machine Learning são dados — nenhum cérebro aprende sem dados: nem o humano, nem o artificial ⠀

Assista também ao vídeo que fiz com um breve resumo do evento e seus insights >>> https://youtu.be/eDYPSX8e-18.

“É nossa responsabilidade que essas tecnologias que estamos criando sejam boas para as pessoas, para a humanidade.” Miles Ward

PS – Participei do #ValorCloudForum como convidada patrocinada do Google Cloud. Entretanto, todos os meus posts, incluindo esse artigo, expressam a minha opinião — como sempre.

Fonte: www.linkedin.com

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