Mercado Território Criativo: o desafio de tornar nossas cidades mais criativas

Max Maciel no Mercado Território Criativo. Foto: Ana Araújo

“Eu não sou mais uma favelada. Agora sinto que moro em Brasília”. De acordo com Luiz Sarmento, coordenador do Ações Urbanas Comunitárias, da CODHAB, essa é a fala de uma moradora de São Sebastião atendida pelo programa que revitalizou a sua quadra. Sarmento foi um dos convidados pra os debates realizados no Mercado Território Criativo, no último final de semana.

O evento, realizado no Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul, contou com a presença de aproximadamente 600 pessoas durante os três dias, segundo a Secretaria de Estado e Cultura do Distrito Federal. A palestra de abertura, na sexta-feira (12), foi da especialista em Economia Criativa, doutora em Urbanismo, autora do livro Cidades Criativas e sócio-diretora da empresa Garimpo de Soluções, Ana Carla Fonseca (Cainha).

Cainha fez um recorrido sobre a situação da Economia Criativa no Brasil e no mundo antes de falar especificamente sobre as cidades. Segundo ela, hoje 54% das pessoas no mundo vivem em cidades. A América Latina só perde para a América do Norte em percentual de habitantes em áreas urbanas, o que reforça a ideia de utilizar a criatividade para melhorar a qualidade de vida dos moradores das cidades. Sobre Brasília, ela defendeu justamente que o ideal é que a capital não seja apenas conhecida por ser o centro do poder, mas que consiga vencer o desafio de se integrar às satélites, tanto cultural quanto economicamente, e que seja, assim, capaz de surpreender o turista.

Ana Carla Fonseca na palestra de abertura

Qualificação profissional, troca de experiências entre empreendedores e a criação de um ambiente de integração foram as propostas da segunda edição do Mercado Território Criativo, realizado pela Secretaria de Cultura e Instituto Bem Cultural. O público participou de atividades em laboratórios, oficinas, mentorias, debates, palestras, pockets shows e arenas temáticas sobre a Economia Criativa como estratégia de desenvolvimento.

Mas economia não foi o único aspecto abordado. A Desconferência: Urbanidades Criativas, no sábado, trouxe Max Maciel, do Coletivo Ruas e Jovem de Expressão, Luiz Sarmento, do Ações Urbanas Comunitárias, Natália Magaldi, do MOB, e Daniela Rueda, do Mercado Sul, para um debate acerca da importância das cidades satélites, da revitalização e ocupação de seus espaços. Brasília é considerada uma cidade criativa em design pela Unesco, mas de acordo com Max Maciel é preciso valorizar as cidades que a contornam, exatamente como propôs Ana Fonseca. “É uma forma de higienização do território, que em Brasília é um pouco mais perverso porque somos filhos daqueles que ajudaram a construir esse território”, afirmou Max, sobre a distância e o noticiário negativo a respeito de cidades como a Ceilândia.

A professora de Acessibilidade Audiovisual, Adriana Tavares, no IFB Campus Recanto das Emas, fez questão de levar a turma para participar do encontro. “O evento me chamou atenção por conta da gama de atividades que poderiam contribuir para a prática profissional desses alunos, mas também, acima de tudo, pela localização em que eles moram e onde o Campus está inserido naquela comunidade”, disse. Após a palestra, a mediadora Heloisa Rocha, do Ossobuco, convidou os visitantes para uma conversa dinâmica em outro espaço e os alunos surpreenderam a professora ao participar ativamente da proposta. “Eu os trouxe para despertar o olhar deles, para que eles possam, enquanto cidadãos, mudar a realidade em que se encontram”, afirmou. Missão comprida.

O designer Fábio Mestriner esteve presente no sábado (13) duas vezes. Pela manhã, ministrou a oficina Como inovar na embalagem e voltou para encerrar o dia com o Painel de Tendências: Possibilidades para o Design Gráfico.  O dia ainda contou com o Laboratório de Conexões: Gerando Novos Negócios, pela empresa de mentoria Napkin Talk, e a Mentoria em Pílulas: Mentorias Individuais Rápidas para Negócios Criativos, que teve como facilitador o Coworking Gunga.

O domingo (14) começou com a oficina de Ana Brum: Precificação para Criativos. Pela tarde a Arena de Soluções – mecanismos de fomento para empreendedores criativos e a Desconferência: Design e Cultura – como o design agrega valor para bens e serviços culturais, com as debatedoras Ana Brum, Fátima dos Santos e Gisela Schulzinger.

Durante toda a programação os ambientes de coworking e lounge ficaram acessíveis, além das experimentações de produtos e serviços criativos locais.

 

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