Empresas juniores são celeiro de negócios.

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por Cris Olivette em 30/09/2018.

Ligadas a universidades, elas estimulam o ‘nascimento’ de novos empreendedores

Guilherme Mynssen, fundador do ChefsClub. Foto Rafael Vieira/Divulgação.

Em prol do empreendedorismo, 208 universidades brasileiras mantêm 600 empresas juniores (EJ) em atividade, que operam dentro de diversas faculdades. Nelas, os estudantes aplicam o que aprendem na graduação ao atender pequenos e médios empresários que buscam algum tipo de solução para os seus negócios, pagando valor inferior ao praticado no mercado. Além disso, os jovens vivenciam o empreendedorismo na prática, gerindo a EJ.

Objetivo

Nos últimos 30 anos, a experiência proporcionada pelo Movimento Empresa Júnior despertou o espírito empreendedor de pessoas como o fundador do clube de gastronomia ChefsClub, Guilherme Mynssen.

“Foi durante minha passagem pela EJ, onde atuei como consultor, coordenador administrativo-financeiro e diretor executivo, que tive certeza de que iria empreender. Eu tive muito contato com empresas nascentes e exercitei inovação em gestão.”

Para quem está atuando em uma EJ, ele recomenda aproveitar o período para aprender e “colocar a mão na massa”. Em relação ao ChefsClub, Mynssen diz que além de obter descontos nos 3 mil restaurantes parceiros que estão instalados em 25 cidades, os 100 mil associados também fazem reservas e check-ins pelo aplicativo do clube.

Parceria

“Queremos que nossa marca seja referência para quem é apaixonado por comer bem e por receber atendimento de qualidade. Para os restaurantes, queremos ser vistos como parceiro estratégico na busca de rentabilidade, ocupação e divulgação dos estabelecimentos.”Fundado em 2012, o negócio emprega 30 pessoas, tem escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo.

No comando da plataforma de gestão de processos Pipefy, o CEO Alessio Alionco participou da EJ da Universidade Federal do Paraná, do primeiro ao final do terceiro ano da faculdade de administração.

“Logo no início, fui coordenador geral da organização do Encontro Sul Brasileiro de Empresas Juniores. Aprendi a liderar pessoas, captar patrocínio, fazer negociação, vendas, gestão de pessoas, solucionar problemas, gerir cronograma e identificar gargalos.”

Alessio Alionco, fundador e CEO da Pipefy. Foto: Valeria Gonçalvez/Estadão.

Depois, foi diretor de marketing e ajudou a atrair mais projetos para a EJ, além de criar uma espécie de ‘Top of Mind’ universitário. No último ano, presidiu a EJ. “Nessa etapa, aprendi a focar em resultados, a tocar a parte financeira e montei o conselho de gestão, ativo até hoje.”

Ganhos

Ele afirma que também aprendeu a fazer muito com pouco, a ter mentalidade enxuta e a sonhar grande. “No primeiro ano da EJ vi uma palestra de Marilia Rocca, da Endeavor, e me apaixonei pelo empreendedorismo.”

No final da faculdade, quando os seus colegas pensavam em ser trainee de grandes empresas, ele já pensava em criar seu próprio negócio.

Reputação

A Pipefy emprega 140 profissionais e sua plataforma é usada por 15 mil empresas de 140 países. “Quem quer empreender não deve esperar o momento perfeito. Valorize muito esse tempo de EJ para acumular experiência. Fique atento a sua reputação como executor e bom profissional, pois ela se constrói já na EJ.”

Apaixonada pelo movimento EJ e fundadora da organização sem fins lucrativos Vetor Brasil, Joice Toyota foi palestrante na 25ª edição do Encontro Nacional de Empresas Juniores realizado no final de agosto, em Ouro Preto (MG). O evento reuniu cinco mil jovens e bateu recorde de público.

Joice Toyota, fundadora da Vetor Brasil. Foto: Ricardo Sudário/Divulgação.

“Foi maravilhoso. O movimento causa grande impacto na economia, ao prestar serviços para pequenas e médias empresas, enquanto desenvolve universitários que aprendem a se conhecer melhor e a reconhecer suas potencialidades. Essa é a mágica do movimento. Por isso, ele cresce tanto e mantém as pessoas engajadas nessa rede.”

Como aluna de engenharia da computação na Poli-USP, ela trabalhou na Poli Júnior como consultora de engenharia e desenvolveu alguns projetos.

“A experiência me permitiu conhecer outras realidades, outras demandas e mercados. Entendi que tinha capacidade de realização, pois éramos jovens e sem recursos financeiros, mesmo assim tínhamos capacidade de criar coisas grandes e bem coordenadas. Foi lá que descobri minhas fraquezas e fortalezas, e entendi que tinha capacidade de mobilizar recursos e atender demandas.”

Público

Explorando essas habilidades ela criou, em 2014, a Vetor Brasil, que até o momento é mantida por doações feitas por fundações e institutos. “Em breve, vamos monetizar os serviços, porque queremos que o negócio seja sustentável.”

A empresa nasceu para apoiar os governos na composição de times de alto desempenho. “As pessoas são fundamentais para que o governo entregue serviço público de melhor qualidade à população.”

No longo prazo, a Vetor espera formar os líderes de gestão do setor público brasileiro. “No momento, nosso objetivo é atrair e selecionar pessoas para desenvolver carreira pública, por meio de capacitação.”

A Vetor tem os programas ‘Trainee de Gestão Pública’, que está com inscrição aberta e é voltado a jovens na faixa de 24 anos; e ‘Líderes de Gestão Pública’, para profissionais com mais de dez anos de experiência, que serão tomadores de decisão na alta administração pública.

Outro engenheiro que passou por EJ e criou um negócio é o fundador do portal para a compra e venda de milhas aéreas MaxMilhas, Max Oliveira.

Max Oliveira, dono da Max Milhas. Foto: Magê Monteiro/Divulgação.

“Foi muito bom viver naquele ambiente de ter de fazer acontecer, que é natural nas EJs. Foi uma experiência positiva, mas ainda não pensava em criar um negócio. Porém, algumas habilidades que caracterizam o meu perfil empreendedor foram despertadas nesse período.”

Fundada em 2013, a empresa emprega 270 pessoas. “Em cinco anos de atividade vendemos um milhão de passagens áreas. Só neste ano, vamos vender mais do que comercializamos nos anos anteriores. Chegaremos a 1,5 milhão de passagens transacionadas na plataforma.”

Para empreender, ele diz que é importante entender o motivo que o move. “Precisa saber qual é o seu propósito, porque não é fácil. Ganhar dinheiro é uma consequência. Se o propósito não for claro a pessoa tende a desistir”, avalia.

Fonte: www.estadao.com.br

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