A ONU e a Economia Criativa.

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por redação Socialismo Criativo em 25/10/2018.

As Nações Unidas consideram esse eixo de desenvolvimento econômico como importante ferramenta para a inclusão social e a integração global.

Na Semana da ONU, comemorada desde 1948, o Socialismo Criativo traz à pauta a Economia Criativa sob perspectiva das Nações Unidas. Em seu Relatório de Economia Criativa 2010, a organização já mostrava a expansão da área, que, nos últimos anos, atingiu valores trilionários com movimento de gigantes da tecnologia.

O dia 24 de outubro é, desde 1948, o Dia da ONU, escolhido para lembrar o aniversário da Carta das Nações Unidas, que marcou a criação da organização em 1945, após a II Guerra Mundial. A entidade surgiu com o objetivo de manter a segurança e a paz mundial e, dentro de suas ações, auxiliar em desenvolvimentos econômicos e progressos sociais, considerando, para tal, o equilíbrio na proteção o meio ambiente e à promoção de direitos humanos. Nesta segunda década do século XX, quando a data comemorativa faz setenta anos, o Socialismo Criativo destaca um olhar da ONU diante da Economia Criativa.

Em 2012, foi publicado o Relatório de Economia Criativa 2010, em que a Organização das Nações Unidas mostrou como as indústrias criativas impulsionam as economias e o desenvolvimento social. Tal documento mapeou o comércio de bens e serviços criativos e apontou que, no início desta década, foram cerca de US$ 624 milhões alcançados, o dobro do que se via até 2002. O relatório, que está disponível na internet, foi desenvolvido através de parceria entre a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e a Unidade Especial para Cooperação Sul-Sul do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“Além de gerar postos de trabalho, a economia criativa contribui com o bem-estar geral das comunidades, fomenta a autoestima individual e a qualidade de vida, o que resulta em um desenvolvimento sustentável e inclusivo. Em momentos em que a comunidade internacional está estruturando uma nova agenda de desenvolvimento pós-2015, é vital reconhecer a importância e o poder dos setores cultural e criativo como impulsionadores de desenvolvimento”, comentou, na época do lançamento do relatório, a então diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova.

Agora, no pós-2015, os números são trilionários, quando colocamos na ponta do lápis o que movimentam, por exemplo, gigantes da tecnologia, como as norte-americanas Apple, Google, Microsoft, Facebook, Amazon e Netflix e as chinesas Baidu, Alibaba e Tencent. O desenvolvimento tecnológico vem impactando na economia e, consequentemente, em diversas comunidades, não apenas do ponto de vista de movimentações financeiras, mas, também, trazendo novos hábitos como o entretenimento vias redes sociais e as formas de consumo de produções artísticas, como cinema e música.

Quando, há três anos, as Nações Unidas estabeleceram seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que compõem um plano de ação global para mudar o mundo até 2030 – conhecido como Agenda 2030 –, foram listadas pautas para Indústria, Inovação e Infraestrutura. Entre as metas do documento está a de “aumentar significativamente o acesso às tecnologias de informação e comunicação e se empenhar para oferecer acesso universal e a preços acessíveis à internet nos países menos desenvolvidos, até 2020”.

 

No relatório da UNCTAD, a ONU já trazia uma lista de dez recomendações a serem consideradas acerca da Economia Criativa:

  • Reconhecer que, além de seus benefícios econômicos, a economia criativa gera um valor não monetário que contribui notavelmente com a consecução de desenvolvimento sustentável inclusivo e centrado nas pessoas.
  • Fazer da cultura uma impulsionadora e uma facilitadora dos processos de desenvolvimento econômico, social e ambiental.
  • Revelar oportunidades, identificando os ativos da economia criativa.
  • Melhorar o acervo de informação empreendendo uma compilação de dados rigorosos como investimento preliminar essencial para adotar políticas coerentes de desenvolvimento da economia criativa.
  • Investigar as conexões entre os setores formal e informal para elaborar políticas de desenvolvimento da economia criativa.
  • Analisar os fatores de êxito cruciais que contribuem com a abertura de novas causas para o desenvolvimento da economia criativa local.
  • Investir em criatividade, inovação e desenvolvimento das empresas criativas.
  • Investir no aumento de capacidades a nível local para potencializar os criadores e empresários culturais, os funcionários da administração e das empresas do setor privado.
  • Participar da cooperação Sul-Sul para facilitar uma aprendizagem mútua proveitosa e fundamentar os programas internacionais para o desenvolvimento.
  • Posicionar a cultura nos programas locais de desenvolvimento econômico e social, inclusive frente a prioridades contrapostas.

A UNCTAD, criada em 1964, é o órgão das Nações Unidas voltado, especificamente, para tratar da relação entre comércio internacional e desenvolvimento, atuando como fórum para deliberações intergovernamentais, desenvolvendo pesquisas, fornecendo assistência técnica para necessidades específicas de países em desenvolvimento. O empreendedorismo é um dos temas mais presentes entre suas pautas.

Aqui, no Brasil, um resultado direto de suas ações é o EMPRETEC, um seminário internacional oferecido pelo Sebrae há 25 anos, desenvolvido a partir de metodologia da UNCTAD de análise de comportamento empreendedor no mundo. O país já sediou outros importantes eventos como o “I Fórum de Negócios entre América Latina e África” e a “Conferência Regional da UNCTAD sobre o papel estratégico das TIC para a competitividade e o desenvolvimento: promoção do comércio eletrônico e da integração logística na América Latina e no Caribe”.

Quando, em 2004, foi realizado o XI UNCTAD, no Brasil, o então ministro da Cultura, Gilberto Gil, disse: “Esta é a Conferência da criatividade. As indústrias criativas representam, hoje, não apenas para os brasileiros, mas para muitos países em desenvolvimento, o coração de possibilidades únicas de enfrentarem com sucesso o desafio de se lançarem em novas áreas de invenção relacionadas com as grandes tendências da mundialização”. Em sua atuação, a UNCTAD considera que a economia criativa deve ser uma ferramenta para a inclusão social e a integração global.


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