Curitiba investe em inovação para manter liderança entre cidades inteligentes.

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por redação do Paraná Portal em 

Curitiba é a cidade mais inteligente do país. Em setembro deste ano, a capital ultrapassou São Paulo no levantamento realizado pela Connected Smart Cities, que avalia o desempenho de mais de 700 municípios do país.

Augusto Pimentel e Mariana Mayumi da M4mais. Foto: Daniel Castellano / SMCS

 

Para manter a posição de destaque, poder público, startups, universidades, entidades de fomento à inovação e empreendedores estão sendo incentivados a trabalhar juntos e investir em soluções inovadoras em áreas como mobilidade urbana, saúde, educação, meio ambiente e até segurança alimentar. É o movimento Vale do Pinhão.

“Curitiba se destaca por possuir quatro Parques Tecnológicos (Polos), sete incubadoras de empresa, um ecossistema de inovação (Vale do Pinhão) e por apresentar crescimento de 20% das microempresas individuais”, explica Laila Del Bem Seleme Wildauer, pesquisadora do Observatório Sistema Fiep, Líder do Projeto Curitiba 2035.

 

No processo de construção coletiva do Curitiba 2035, segundo a pesquisadora, atores estratégicos da cidade priorizaram nove grandes áreas: Cidade da Educação e do Conhecimento; Coexistência em uma Cidade Global; Desenvolvimento Socioeconômico; Governança; Meio Ambiente e Biodiversidade; Mobilidade e Transporte; Planejamento e Gestão Urbana; Saúde e Qualidade de Vida; Segurança. Para cada área foi construída uma visão de futuro, definidos seus respectivos fatores críticos de sucesso e correspondentes ações de curto, médio e longo prazos, necessárias à concretização das visões temáticas.

 

“O planejamento encontra-se em uma fase de implementação da governança, que tem por objetivo orientar a execução das ações propostas, bem como aproximar e integrar os atores envolvidos na concretização do projeto de futuro do município, objetivando atingir as visões estabelecidas”, explica.

Vale do Pinhão

O Vale do Pinhão nasceu com o objetivo de incentivar a inovação na capital. Um dos braços desse movimento é a Agência Curitiba, que tem um papel de governança e coordena as ações em todas as áreas da administração pública.

Segundo a presidente do órgão ligado à Prefeitura, Cris Alessi, o trabalho nos dois primeiros anos da gestão do prefeito Rafael Greca  foram fundamentais para estruturar os projetos e criar arcabouços legais para trazer segurança jurídica e fomentar as iniciativas público e privadas voltadas para inovação. Agora, nos próximos dois anos, as ações estarão concentradas em trabalhar nas questões urbanas – incentivar o uso dos espaços públicos, novos modais de transporte e abertura de espeço para atrair novas empresas.

“Até o final da gestão, queremos que a cidade esteja estruturada para crescer como uma cidade inteligente e com o cidadão no centro das ações. Queremos as pessoas nas ruas e o nosso sonho, até o final da gestão, é consolidar a estratégia de cidade inteligente”, diz Cris.

Lei de Inovação

 O Vale do Pinhão trabalha com cinco pilares em busca da cidade inteligente. Cada um deles agrega todas as áreas da prefeitura com foco em uma área de desenvolvimento de projetos. As ações são organizadas pela Agência Curitiba para dar uma governança única aos pilares do Vale do Pinhão.

Segundo Cris, neste ano, o objetivo foi buscar apoio legal para viabilizar os projetos. A meta, comemora ela, foi cumprida com a nova Lei de Inovação, sancionada em novembro pelo prefeito Rafael Greca. A lei facilita a atuação do poder público na área, prevendo, por exemplo, que o município poderá investir em startups e a criação do Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Segundo Laila Del Bem Seleme Wildauer, pesquisadora do Observatório Sistema Fiep, Líder do Projeto Curitiba 2035, o papel do poder público na construção de cidades inteligentes é promover a articulação de atores dos diversos segmentos da sociedade, com o objetive de planejar a longo prazo. “Além disso, estabelecer parcerias estratégicas, confiáveis e que tenham grande expertise tornam-se essenciais na implementação de tecnologias adequadas às necessidades atuais da localidade e com desdobramentos que possam suprir demandas futuras”, explica.

“Outro aspecto importante é a regulamentação das novas soluções, pois agilizam a aplicação em escala gerando benefícios sociais e econômicos”, avalia Laila.

  • EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

As ações em educação começa para as crianças na primeira infância, junto à Secretaria da Educação. “É quando se transforma os faróis do saber em Faróis do Saber e Inovação, dando a oportunidade de uma cultura maker, de aprender fazendo. Ter acesso à tecnologia de uma impressora 3D. Tudo para que elas aprendam a solucionar problemas nessa cultura ‘mão na massa’”.

Também acontecem ações em outros níveis, como o programa ‘Bom Negócio’, que é voltado para pequenos empreendedores. “Organiza esses empreendedores em uma rota de conhecimento e passa por EAD, presencial e semipresencial. Ele é fomentado por mais de 20 instituições de ensino que gerem esse projeto junto à prefeitura”, afirmou a presidente da Agência Curitiba, responsável pelo programa.

Há o projeto com foco para as mulheres. Segundo Cris, foram mais de mil mulheres que participaram das palestras ministradas pela prefeitura neste ano.

  • REURBANIZAÇÃO

Um dos principais projetos dessa área transformou espaços degradados da capital em hortas urbanas. “Essas hortas acabam trazendo não só melhor qualidade alimentar das famílias, mas desenvolve todo o ciclo econômico de famílias de baixa renda, que podem vender o que elas plantam para restaurantes renomados da cidades e armazéns da família”, contou.

Outro projeto de recuperação de áreas urbanas tem um foco muito forte no bairro Rebouças, onde está a Agência Curitiba. “Temos o projeto de ocupação de espaços daquela região, que foi o primeiro distrito industrial da cidade, para atrair empresas com olhar de economia criativa”.

  • FOMENTO

Neste ano foi reaberto o programa Tecnoparque que reduz o imposto de 5% para 2% para empresas de bases tecnológicas, para incentivar e atrair empresas e mão de obra com o objetivo de tornar Curitiba mais competitiva.

  • ARTICULAÇÃO DO ECOSSISTEMA

Nessa área são realizados eventos de integração e acesso. “Unimos empresas, startups e pessoas que querem conhecer mais esse mundo, além de dar visibilidade as tantas ações legais que Curitiba está fazendo”, afirmou Cristina.

São realizadas reuniões temáticas sobre mobilidade, saudê, novas energias 4.0, para buscar soluções reais e transformar a cidade em um laboratório urbano. “Também apoiamos todos os eventos que venham e possam disponibilizar para a população oportunidades para desenvolvimento nesse sentido”, disse.

  • TECNOLOGIA / INTERNET DAS COISAS

Esse pilar trata-se desburocratizaram dos processos , digitalização – como por exemplo o aplicativo Saúde Já, que reduziu as filas nos postos de saúde. É um exemplo de como a tecnologia pode ajudar.  A área também envolve a internet das coisas, traz mais conectividade nas cidades, sustentabilidade e novas energias.

Iniciativas em Curitiba

Entre as iniciativas que começaram com o Vale do Pinhão, houve o lançamento do aplicativo Saúde Já, que reduziu as filas para o pré-atendimento médico nas unidades de saúde. Curitiba também ganhou o Worktiba Barigui, primeiro coworking público do Brasil.

Foto Luiz Costa / SMCS

A prefeitura também passou a apoiar hortas urbanas – hoje, são 25 ao todo. O projeto Horta do Chef, programa finalista do World Smart City Awards, incentiva a venda de parte dos alimentos a restaurantes.

Busca pela inovação

Na busca pelos preceitos que tornam a capital uma cidade inteligente, alguns setores desempenham um papel fundamental. É o caso da indústria, um dos carros-chefe da inovação no estado, das grandes plantas às startups.

É o caso da startup paranaense eiON, desenvolvedora do Buggy Power, um veículo 100% elétrico. A empresa, inclusive, já apresentou o seu carro ecológico em uma palestra no Worktiba Barigui.

Foto: Luiz Costa / SMCS

A empresa também se inscreveu no edital de encubação para o Centro de Tecnologia de Veículos Híbridos e Elétricos do Sistema Fiep. “A tecnologia pode ser uma grande aliada na melhoria da infraestrutura, na transformação de centros urbanos em espaços mais eficientes e consequentemente na melhoria da qualidade de vida da população”, explica Laila.

Entre os exemplos, a pesquisadora cita semáforos inteligentes, aplicativos diversos que contribuem para a mobilidade e compartilhamento de carros. “São ferramentas que tornam os serviços urbanos mais eficientes e com menor custo, permitem que a cidade se reinvente a todo momento e alavancam a qualidade de vida e a prosperidade econômica local”, afirma.

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