BUEIRO INTELIGENTE

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por redação Socialismo Criativo.

Coletores de resíduos sólidos em bocas de lobos de grandes centros são soluções para alagamentos.

Cidades alagadas em dias chuvosos. Essa é uma preocupação de muitos centros urbanos. Além dos tradicionais sistemas de drenagem pluvial, uma medida acessível e de impacto no cotidiano das cidades pode ajudar a evitar enchentes: uma cesta encaixada às bocas de lobo. A iniciativa é chamada de “bueiro inteligente” e consiste na instalação de um coletor (filtro ou peneira) de resíduos sólidos na entrada das galerias de escoamento de água.

Garrafinhas, sacos plásticos, copos descartáveis e embalagens de isopor, muitas vezes, ficam acumulados nos bueiros por onde deveriam passar, apenas, água e são, muitas vezes, causas de ruas alagadas. É, então, que as cestas se tornam aliadas. Um município que adotou a proposta foi Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina. Por lá, são cerca de cinco mil bocas de lobo, que precisam ser, constantemente, abertas e esvaziadas por conta do acúmulo de resíduos. Se, antes, os agentes de limpeza pública passavam até uma hora para retirar lixo, agora, nos locais onde o sistema foi adotado, como na Avenida Brasil, uma das principais da cidade, cinco minutos podem ser suficientes.

Bueiro inteligente é uma medida viável que pode ajudar a evitar alagamento em grandes centros urbanos_Reprodução Record SC.jpg

Em São Paulo, desde 2012, os bueiros inteligentes estão sendo usados. A cidade, que gera cerca de 20 mil toneladas de lixo por dia, já instalou as peneiras na região central, nas zonas Oeste e Norte e nos bairros Mooca e Penha. Foram mais de mil coletores e, destes, 110 têm um diferencial: neles, há sensores que avisam quando estão cheios.

A esses cestos detectores, são acoplados sensores que faz uma leitura e emitem um sinal quando o limite de capacidade vem sendo atingido. O volume de cada filtro varia entre 280 e 300 litros de lixo. A partir de um acúmulo de resíduo em 50% do recipiente, um sinal de alerta aponta a necessidade de limpeza.

Apesar de o número total de sensores estar em apenas 11% das cestas, foram utilizadas estratégias para saber quando é necessária a limpeza dos demais filtros: foram elencados locais críticos e, neles, instaladas as peneiras com o dispositivo. O ponto que recebeu o sensor representa a região. Em alguns locais, o impacto chegou a ser de menos de 50% de alagamento, quando comparado a períodos antes da instalação dos cestos.

Os dispositivos também estão sendo usados em filtros nos bueiros do Rio de Janeiro_Reprodução CT Inovação.

O Rio de Janeiro também adotou a medida e seu sistema é baseado nos mesmos dois pilares paulistano: o do sensor volumétrico e o da plataforma on-line, que avisa, em tempo real, quando os cestos nos bueiros estão atingindo seus limites para que a equipe de agentes possa esvaziá-las. A iniciativa traz, para além de evitar enchentes, ganho ambiental porque, ao reter o resíduo sólido, impede que ele corra para os rios. A sustentabilidade é outro ponto para ser levado em conta, já que cerca de 40% do lixo retirado dos bueiros podem ser reciclados, gerando fonte de renda para cooperativas de reciclagem. Estão, em ações como essas, os caminhos para as cidades criativas.

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