A reinvenção criativa das cabines de foto: conheça a história do Instaphoto e do Instabike.

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Aline Vieira – 30 de setembro de 2014

Raphael Reis e Murilo Sella, os sócio-fundadores da empresa que transforma fotos em experiências.

Foi durante um churrasco, na praia, que os amigos Murilo Sella e Raphael Reis, formados em administração pela Faap e não exatamente felizes com os seus empregos, resolveram “tomar uma atitude”. Queriam deixar de lado as camisas sociais e gravatas, dizer adeus para os patrões, e dar as boas-vindas a uma vida um pouco mais independente. “O mais difícil nós fizemos: dar o primeiro passo. Quem é que, aos 22, 23 anos, não quer largar tudo e ter seu próprio negócio?”, diz Raphael.

Hoje, quase 12 anos depois, ele e Murilo comemoram os primeiros dois anos de atividade do Instaphoto, um dos maiores serviços de cabines fotográficas e impressões instantâneas do país — e que já é uma referência no setor. A empresa se destaca por conseguir dar uma cara única, sempre meio vintage, às cabines, que são feitas sob medida (para os eventos de empresas ou festas de casamento, por exemplo) e se tornam um grande atrativo das festas. As pessoas ficam curiosas, entram, posam várias vezes, e recebem a foto impressa na hora.

Mas o salto dos dois amigos do mundo das grandes corporações para o do empreendedorismo criativo, no entanto, não foi sem escalas. Apesar da vontade de fazer e acontecer, Rapha e Mura, como são chamados pelos amigos “daquele” churrasco decisivo, de 2002, percorreram um longo caminho até terem um negócio próprio.

Quando decidiram se demitir de seus cargos — Rapha, da consultoria Deloitte, e Mura do setor financeiro da IBM — pouco se falava em empreendedorismo ou em startups no Brasil. “Antigamente, nas faculdades de negócios, era aquilo: ir trabalhar numa multinacional, virar um grande executivo. Mas o jogo virou. Hoje, todo mundo quer ter seu negócio. Esse desejo ganhou impulso com o passar do tempo, ficou mais comum”, diz Murilo.

“Nas faculdades era aquilo: trabalhar numa multinacional, virar um grande executivo. Mas o jogo virou. Hoje todo mundo quer ter seu negócio”

Assim que deixaram a vida corporativa, os dois foram ser representantes comerciais de marcas como Evoke e Osklen, atividade na qual trabalharam por dez anos. O trabalho consistia, basicamente, em distribuir as marcas pelos principais centros comerciais de São Paulo. “Trabalhamos juntos, como representantes, até a atividade se estabilizar. Daí começamos a procurar novas coisas para fazer”, diz Murilo.

Hoje Raphael e Murilo, ambos com 34 anos, dizem que se soubessem da pouca valorização da economia criativa e da dificuldade que é fazer as coisas acontecerem no país, talvez não tivessem a coragem para abandonar os empregos. “É mais cômodo ter o salário entrando todo mês, mas queríamos arriscar, por isso metemos a cara mesmo”, diz Raphael.

Os artistas da Sinlogo criam mais uma cabine com o estilo vintage característico do Instaphoto.

A ideia do Instaphoto viria apenas em 2011, durante uma viagem para uma feira de moda em Berlin. Lá, os dois viram de perto o ressurgimento da moda vintage. Decoração e acessórios feitos de madeira, bikes com visual antigo, uma cultura intensa de Photobooth e — pronto! – tiveram a inspiração que faltava e decidiram explorar esse novo mercado em terras tupiniquins.

“Percebemos que o vintage era uma tendência de comportamento. Pensamos que através de algo divertido como aquilo poderíamos criar uma marca legal e que fosse a nossa cara. Foi o que aconteceu”, diz Raphael.

Apaixonados por câmeras e por fotografia, eles conceberam o Instaphoto, que se destaca por ser não apenas um serviço fechado de fotos instantâneas, como outras empresas do ramo, mas que efetivamente cria projetos (daí o termo “estúdio de criação”) sob medida para cada evento para o qual são contratados.

A cabine montada para um evento da ProXXIma, voltado para o mercado de publicidade, teve cenografia completa e fila para tirar foto.

Eles fazem cerca de 40 eventos por mês, e o design de muitas das cabines é feito por artistas plásticos. “Nosso diferencial é customizar cabines que sejam a cara do contratante, em vez de simplesmente alugar cabines nossas”, diz Murilo. A primeira cabine do Instaphoto foi desenhada pelos dois fundadores e feita em uma marcenaria conhecida. Eles colocaram uma câmera fotografando, em preto e branco, e levaram para um evento na loja de bicicletas Tag and Juice, então um ícone da moda vintage na Vila Madalena.

O INÍCIO É ARTESANAL: AMIGOS AJUDAM AMIGOS

A partir dali, a empresa começou a crescer. Rapha e Mura ativaram amigos que trabalhavam no ramo de eventos e, aos poucos, ganharam a confiança das principais agências da cidade. Hoje, essas mesmas agências fazem a ponte entre os empreendedores e os contratantes.

“Fomos conhecendo marcas que queriam fazer ações, divulgar seus produtos de uma maneira mais criativa, mas ainda não sabiam como fazer isso direito. Com o lance de compartilhamentos no Instagram e no Facebook, percebemos que bastava uma foto legal, com uma boa iluminação, e associar a marca de um jeito mais finesse, no cantinho, que a coisa tinha grande potencial de viralizar”, conta Raphael.

Adidas, Fiat, Havaianas, Sky, Nextel e RedBull estão entre as empresas que já contrataram o Instaphoto. Quase sempre, elas pedem o serviço ilimitado de fotos em cabines, no qual o convidado tem a sua lembrança da festa impressa e entregue na hora. Também há a Instabike, uma versão pocket da cabine, colocada à disposição em eventos outdoor.

É o contratante que paga pelas fotos, e quem participa da ação (ou seja, posa e se diverte nas cabines) não tem custo. “Para nós, como empresa, o maior custo é o do equipamento e o da equipe trabalhando. Não cobramos quase nada pelo print da foto. Acreditamos muito na experiência. Quanto mais envolvente e divertida a ação for, melhor para nós”, diz Murilo.

Instabike: a versão móvel da cabine Instaphoto é usada em eventos ao ar livre.

O trabalho de Rapha, Mura e dos funcionários do Instaphoto nos eventos é extremamente divertido, mas também tem suas responsabilidades. “Sempre deixamos claro que o controle das fotos é do contratante. Não somos responsáveis pelas imagens depois do evento, até deletamos do nosso sistema”, afirma Murilo.

Desde o início da operação, em 2012, a equipe cresceu. Incluindo os sócios, a empresa está com 26 funcionários. Três ficam responsáveis por transportar as dez cabines e as três bicicletas (as Instabikes) para eventos em cidades como Curitiba, Belo Horizonte, Campinas e Rio de Janeiro. No escritório de São Paulo há mais quatro pessoas na criação e atendimento ao cliente, além de sete produtores e dez promoters.

“Nosso maior medo é sempre o de sacrificar a nossa qualidade. Aqui, trabalhamos com amigos. São pessoas comprometidas do mesmo jeito que eu e o Murilo somos. Queremos primeiro encontrar essa galera que tem o mesmo pensamento”

O Instaphoto continua a voar alto e tem duas grandes lições de casa: potencializar as suas mídias sociais, que ainda são pouco usadas em comparação ao poder que têm, e criar um esquema que seja capaz de fazer a empresa atender o Brasil inteiro.

Até por isso, encontrar a equipe “perfeita” tem sido o principal desafio dos fundadores. “Pra gente, ter uma equipe com bom nível é essencial. Todos precisam ter a mesma visão do que é uma empresa e de como nós queremos funcionar”, diz Raphael. “Queremos abrir franquias que possam atender outros lugares, além do Sul e Sudeste, mas nosso maior medo é sempre o de sacrificar a nossa qualidade. Aqui, trabalhamos com amigos. São pessoas comprometidas do mesmo jeito que eu e o Murilo somos. Queremos primeiro encontrar essa galera que tem o mesmo pensamento que a gente para poder fortalecer o negócio em diversas regiões e depois pensamos no resto.”

Fonte: www.projetodraft.com.

 

 

 

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