Só o socialismo é capaz de salvar o clima, afirma Bill Gates em entrevista TED: Inovando para zero!

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Bill Gates em entrevista TED: Inovando para zero!

Acompanhe aqui entrevista na íntegra:

00:01 – Eu vou falar sobre energia e clima. E isso pode ser um pouco surpreendente, porque meu trabalho, em tempo integral, na fundação, é principalmente sobre vacinas e sementes, sobre as coisas que temos de inventar e concretizar para ajudar dois bilhões de vidas mais pobres a viverem melhor. Mas energia e clima são extremamente importantes para essas pessoas, de fato, mais importante do que para qualquer outra pessoa no planeta. O clima cada vez pior significa que por muitos anos suas plantações não irão crescer. Não haverá chuva suficiente, ou haverá chuva demais. As coisas irão mudar de forma que seus ambientes frágeis simplesmente não podem suportar. E isso leva à fome. Leva à incerteza. Leva ao desassossego. As mudanças climáticas serão terríveis para eles.

00:53 – Também, o preço da energia é muito importante para eles. Na verdade, se pudéssemos escolher algo para abaixar o preço e reduzir a pobreza, escolheríamos a energia, com certeza. O preço da energia tem baixado ao longo do tempo. Na realidade, o avanço de uma civilização é medido pelos avanços na energia. A revolução do carvão alimentou a revolução industrial, e, até os anos 1900, nós vimos uma queda muito rápida no preço da energia, e é por isso que temos refrigeradores, aparelhos de ar condicionado e podemos produzir materiais modernos e tantas outras coisas. E assim, nos países ricos, estamos em uma situação maravilhosa com a eletricidade. Mas, ao fazermos a energia mais barata, e digamos que duas vezes mais barata, nós precisamos de uma nova restrição, e essa restrição tem a ver com o CO2.

01:50 – O CO2 está aquecendo o planeta, e a equação do CO2 é na verdade muito simples. Se você soma o CO2 emitido, isso leva a um aumento da temperatura, e esse aumento de temperatura leva a efeitos muito negativos. Efeitos no clima e, talvez pior, efeitos indiretos, os quais os ecossistemas naturais não conseguem se ajustar a essas rápidas mudanças. e assim, acontece um colapso no ecossistema.

02:21 – A quantidade exata de como se mapeia, a partir de um certo aumento de CO2, a que temperatura será e onde estão os retornos positivos, é incerta, mas não muito. E certamente há dúvidas sobre o quão ruim serão os efeitos, mas eles serão extremamente ruins. Eu perguntei aos melhores cientistas sobre isso, várias vezes, nós realmente temos que chegar a quase zero? Não podemos apenas cortar na metade ou em um quarto? E a resposta é que, até que cheguemos perto de zero, a temperatura continuará a subir. E isso é um grande desafio. É bem diferente de dizer que somos um caminhão de 3,60 metros tentando passar por baixo de uma ponte de 3 metros, e nós só podemos nos espremer por debaixo dela. Isto tem que chegar a zero.

03:07 – Nós emitimos muito dióxido de carbono, todo ano, mais de 26 bilhões de toneladas. Cerca de 20 toneladas por americano. Para pessoas em países pobres, é emitido menos de 1 tonelada. Dá uma média de cerca de 5 toneladas por cada pessoa no planeta. E, de alguma forma, nós temos que fazer mudanças que irão trazer a emissão a zero. Está constantemente subindo, e é só por diversas mudanças econômicas que, mesmo aplainadas em tudo isso, temos que ir de rápido aumento para uma queda, e uma queda até zero.

03:42 – A equação tem quatro fatores. Um pouco de multiplicação. Então, temos uma coisa na esquerda, CO2, que queremos que seja zero, e isso será baseado no número de pessoas, a média dos serviços que cada pessoa usa, a média da energia para cada serviço e o CO2 emitido por unidade de energia. Então vamos pegar cada um desses fatores e ver como podemos fazer isso chegar a zero. Provavelmente, um desses números terá que chegar a quase zero. Vamos voltar à álgebra da escola, mas vamos dar uma olhada.

04:18 – Primeiro nós temos a população. O mundo hoje tem 6.8 bilhões de pessoas. E está indo para cerca de nove bilhões. E se fizermos um excelente trabalho com novas vacinas, saúde, serviços de saúde em reprodução, nós podemos baixar isso para, talvez, 10 ou 15 por cento, mas nós vemos um aumento de cerca de 1,3.

04:39 – O segundo fator são os serviços que usamos. Isso engloba tudo, a comida que comemos, roupas, TV, aquecimento. Essas coisas são muito boas, e se livrar da pobreza significa prover esses serviços para quase todo mundo no planeta. E é ótimo que esses números aumentem. No mundo rico, talvez o máximo de 1 bilhão talvez possamos cortar pela metade e usar menos, mas a cada ano, esse número, em média, vai aumentar, e assim, no geral, isso irá dobrar ou mais os serviços entregues, por pessoa. Aqui temos um serviço muito básico. Você tem luz em sua casa para poder ler sua lição, e, de fato, essas crianças não têm, então elas vão para a rua para ler seus livros de escola debaixo das lâmpadas da rua.

05:27 – Agora, eficiência, “E” é a energia para cada serviço, aqui, finalmente temos boas notícias. Temos algo que não está aumentando. Através de várias invenções e novos modos de produzir luz, diferentes tipos de automóveis, diferentes jeitos de construir prédios. Há vários serviços que você pode diminuir substancialmente a energia usada, até alguns serviços individuais, diminuir em 90 por cento. Há outros serviços, como o jeito de produzir fertilizantes, ou transporte aéreo, onde as brechas para melhorias são bem, bem menores. Então, no geral, se formos otimistas, nós podemos ter uma redução de um fator de três a até, talvez, um fator de seis. Mas para esses três primeiros fatores, nós fomos de 26 bilhões para, no máximo, 13 bilhões de toneladas, e isso não é suficiente.

06:21 – Vamos pegar esse quarto fator, esse é um fator chave, e essa é a quantidade de CO2 emitido por cada unidade de energia. Então a questão é: podemos baixar isso para zero? Se queimarmos carvão, a resposta é não. Se queimarmos gás, não. Quase todas as maneiras que produzimos energia hoje, exceto pela reciclável e nuclear, emite CO2. Então, o que teremos que fazer, em uma escala global, é criar um sistema novo. Nós precisamos de milagres da energia.

06:56 – Quando uso a palavra milagre, não estou falando de algo impossível. O microprocessador é um milagre. O computador é um milagre. A internet e seus serviços é um milagre. Então, essas pessoas participaram na criação de muitos milagres. Normalmente, nós não temos um prazo, onde você tem que criar um milagre até uma data determinada. Normalmente, só esperamos, e algumas coisas acontecem, outras não. Esse é um caso em que temos que dirigir a toda velocidade e fazer um milagre em uma linha de tempo bem apertada.

07:30 – Eu pensei: como eu posso capturar isso? existe algum tipo de ilustração natural, uma demostração que atiçaria a imaginação das pessoas aqui? Lembrei-me de um ano atrás, quando trouxe mosquitos, e de alguma forma, as pessoas gostaram daquilo. (Risadas) Realmente os envolveu na ideia de que, vocês sabem, há pessoas que convivem com os mosquitos. Então, com energia, tudo o que pude pensar foi isso. Eu imaginei que soltar vaga-lumes seria minha contribuição com o ambiente daqui, este ano. Portanto, temos aqui alguns vaga-lumes. Me disseram que eles não mordem, na verdade, eles nem devem sair do vidro. (Risadas)

08:15 – Há todo tipo de soluções fajutas como aquela, mas elas não acrescentam muito. Nós precisamos de soluções, uma ou várias, que tenham um enorme alcance e uma enorme confiabilidade, e embora haja muitas pessoas procurando por direções, eu realmente vejo apenas cinco que podem atingir os grandes números. Eu deixei de fora a geotérmica, fusão e biocombustíveis. Porque esses podem trazer alguma contribuição, e se eles fizerem melhor do que eu espero, melhor ainda, mas meu ponto chave aqui é que teremos que trabalhar com cada um desses cinco fatores, e não podemos abrir mão de nenhum deles, porque eles parecem assustadores, porque apresentam desafios significativos.

09:02 – Vamos olhar primeiro para a queima de combustíveis fósseis, a queima de carvão ou a de gás natural. O que precisamos fazer, parece simples, mas não é, e isso é pegar todo o CO2, após sua queima, saindo da chaminé, pressurizar, criar um líquido e colocá-lo em algum lugar, e esperar que ele fique lá. Nós temos alguns pilotos que podem fazer isso a um nível percentual de 60 a 80, mas chegar à percentagem completa será muito complicado, e chegar a um acordo de onde essas quantidades de CO2 serão colocadas será difícil; mas o mais difícil aqui é uma questão de longo prazo. Quem vai ter certeza? Quem irá garantir algo que é literalmente bilhões de vezes maior do que qualquer tipo de resíduo, em termos nuclear ou outros? Isso é muito volume. Então essa é uma questão difícil.

09:54 – A próxima seria nuclear. Que também apresenta três grandes problemas. Custo, que é alto, particularmente em países altamente regulamentados. A questão da segurança, se sentir bem sobre nada poder dar errado, mesmo tendo operadores humanos, e que o combustível não seja usado para armas. E então, o que se pode fazer com os resíduos? E apesar de não ser muito grande, há muitas preocupações em relação a isso. As pessoas precisam se sentir bem sobre isso. Então há três problemas muito difíceis que podem ser resolvidos, e por isso deveriam ser trabalhados.

10:27 – Eu agrupei o último dos cinco problemas em um só. Esses são, como as pessoas se referem, fontes renováveis. E eles realmente, apesar de ser ótimo que eles não necessitem de combustível, eles têm algumas desvantagens. Uma é que a densidade de energia acumulada nessas tecnologias é dramaticamente menor do que em uma usina. Isso é uma agricultura de energia, então falamos em muitos quilômetros quadrados, milhares de vezes mais área do que você imagina como uma usina normal. E também, essas são fontes intermitentes. O sol não brilha o dia inteiro, não brilha todos os dias, e, igualmente, o vento não sopra o tempo todo. Então, se você depende dessas fontes, você terá que ter um jeito de ter energia durante esses períodos de tempo em que essas não estão disponíveis. Então, nós temos grandes desafios de custo aqui. Temos desafios de transmissão. Por exemplo, vamos dizer que essa fonte de energia esteja fora de seu país, você não só precisa de tecnologia, mas ainda tem que lidar com o risco da energia estar vindo de outro lugar.

11:29 – E finalmente o problema de armazenamento. E para dimensionar esse problema, eu pesquisei todos os tipos de baterias que são feitas para carros, computadores, telefones, lanternas, para tudo; e comparando isso ao montante de energia elétrica que o mundo usa, eu cheguei a conclusão que todas as baterias que fazemos agora poderiam armazenar menos de 10 minutos de toda a energia. E, na verdade, nós precisamos de um grande avanço aqui, algo que será um fator centenas de vezes melhor do que as abordagens que temos agora. Não é impossível, mas não é algo muito fácil. Isso aparece quando se tenta obter a fonte intermitente para estar acima, digamos, de 20 a 30 por cento do que está sendo usado. Se contarmos a 100 por cento, precisamos de uma bateria incrivelmente milagrosa.

12:23 – Agora, como iremos em frente com isso: qual a abordagem certa? É um projeto Manhattan? O que pode nos levar a esse objetivo? Bem, temos muitas empresas trabalhando nisso, centenas delas. Em cada um desses cinco caminhos, precisamos de centenas de pessoas. E muitas delas, você olhará e dirá que são loucas. Isso é bom. E, eu acho, aqui no TED group, nós temos muitas pessoas que já estão indo atrás disso. Bill Gross possui várias companhias, incluindo uma chamada eSolar que possui algumas ótimas tecnologias termais. Vinod Khosla está investindo em dezenas de companhias que estão fazendo coisas ótimas e têm possibilidades interessantes, e eu estou tentando apoiar isso. Nathan Myhrvold e eu, estamos apoiando uma companhia que, talvez surpreendentemente, está seguindo a abordagem nuclear. Existem algumas inovações na tecnologia nuclear: modular, líquida. E a inovação realmente desapareceu dessas indústrias há algum tempo. Então, a ideia de que existem algumas boas ideias por aí não é tão surpreendente.

13:26 – A ideia da Terrapower é que ao invés de queimar uma parte de urânio, aquele um por cento, que é o U235, nós decidimos queimar os 99 por cento, o U238. É uma ideia meio maluca. Na verdade, as pessoas falaram disso por muito tempo, mas elas nunca puderam simular adequadamente se iria funcionar ou não, e então, com o advento de supercomputadores modernos que agora é possível simular e ver que, sim, com a abordagem de materiais certos, parece que isso pode funcionar.

14:00 – E, porque está se queimando aqueles 99 por cento, se obtém grande melhora no perfil de custo. Você pode queimar os resíduos e realmente usar como combustível toda a sobra de resíduo dos reatores de hoje. Então, ao invés de se preocupar com eles, apenas pense nisso. É uma coisa ótima. Ele respira esse urânio e vai junto com ele. Então, é como uma vela. Você pode ver que há um log, geralmente citado como um reator de onda em movimento. Em termos de combustível, isso realmente resolve o problema. Eu tenho uma foto aqui, de um lugar em Kentucky. Isso é a sobra, os 99 por cento, onde eles tiraram a parte que eles queimam agora, e isso é chamado de urânio empobrecido. Isso poderia fornrcer energia aos E.U.A, por centenas de anos. E, simplesmente filtrando a água do mar em um processo barato, nós teríamos combustível suficiente para o resto da vida do planeta inteiro.

14:51 – Então, nós temos muitos desafios pela frente, mas isso é um exemplo das muitas centenas e centenas de ideias que precisamos levar adiante. Então vamos pensar, como deveríamos avaliar a nós mesmos? Como o nosso boletim deveria parecer? Bem, vamos direto ao ponto, e depois, olhar para o intermediário. Para 2050, ouve-se muitas pessoas falando nessa redução de 80 por cento. Isso é realmente muito importante, que nós cheguemos lá. E que 20 por cento será usado pelos países pobres, ainda por alguma agricultura. Com esperança, nós teremos limpado florestas, cimento. Então, para chegar aos 80 por cento, os países desenvolvidos, incluindo países como a China, terão que trocar toda a sua geração de energia, de uma só vez. Então, a outra nota seria, se estamos implantando essa tecnologia de emissão zero, se implantamos em todos os países desenvolvidos e se estamos no processo de chegar em outros lugares. Isso é muito importante. Há um elemento chave para fazer esse boletim.

16:02 – Então, voltando àquilo, como o boletim de 2020 deveria parecer? Bem, de novo, deveria ter os dois elementos. Nós devemos passar por essas medidas de eficiência para começar a ter reduções. Quanto menos nós emitirmos, menos será o total de CO2, e, portanto, a temperatura será menor. Mas de algumas formas, a nota para chegarmos lá, fazendo coisas que não nos leva a todos no caminho para grandes reduções, só é igual, ou talvez um pouco menos importante do que a outra, que é a parte da inovação desses avanços.

16:33 – É preciso mover esses avanços à velocidade máxima, e nós podemos medir isso em termos de companhias, projetos piloto, coisas regulatórias que foram mudadas. Há um monte de grandes livros que foram escritos sobre isso. o livro de Al Gore “Our Choice” e o livro de David Mckay, “Sustainable Energy Without the Hot Air”. Eles realmente foram além e criaram um quadro onde isso pode ser discutido amplamente, porque precisamos de um amplo apoio para fazer isso. Há muitas coisas que devem ser juntadas.

17:01 – Então, isso é um desejo. É um desejo muito concreto de inventarmos essa tecnologia. Se você me der apenas um desejo para os próximos 50 anos, Eu poderia escolher quem será o presidente, poderia escolher uma vacina, o que é algo que eu amo, ou eu poderia escolher que isso, que é a metade do custo sem o uso de CO2, seja inventado. Esse é o desejo o qual eu escolheria. Este é aquele de maior impacto. Se nós não tivermos esse desejo, a divisão entre as pessoas que pensam e longo prazo e a curto vai ser terrível, entre os E.U.A e China, entre países ricos e pobres, e acima de tudo, a vida daqueles dois bilhões de pessoas serão muito piores.

17:39 – Então, o que nós temos que fazer? O que eu estou apelando para darmos um passo adiante e dirigir? Nós precisamos buscar mais investimento em pesquisas. Quando países se juntam em lugares como Copenhagen, eles não deveriam discutir apenas CO2. Eles deveriam discutir uma agenda de inovações, e você ficaria espantado com o nível ridiculamente baixo de gastos nessas abordagens inovadoras. Precisamos de incentivos de mercado, o imposto sobre CO2, limitar e negociar, algo que tenha esse sinal de preço. Nós precisamos espalhar a mensagem. Nós precisamos fazer esse diálogo ser mais racional, um diálogo mais compreensível, incluindo os passos que o governo dá. Este é um desejo importante, mas é um desejo que eu acho que podemos alcançar.

18:22 – Obrigado. (Aplausos) Obrigado

18:37 – Chris Anderson: Obrigado. Obrigado. (Aplausos) Obrigado. Só para eu entender melhor sobre a Terrapower, certo. Quero dizer, em primeiro lugar, você pode nos dar uma noção dessa escala de investimento?

18:55 – Bil Gates: Para realmente fazer o software por um supercomputador, contratar todos os grandes cientistas, o que nós fizemos, isso é apenas dezenas de milhões, e mesmo quando testamos nossos materiais em um reator russo para ter certeza de que nosso material funcionava adequadamente, só é necessário até centenas de milhões. A única coisa difícil é a construção do reator piloto, encontrar os bilhões necessários, encontrando o regulador, a localização para realmente construir a primeiro desses. Depois de conseguir o primeiro construído, irá funcionar como uma propaganda, e então será claro como o dia, porque a economia e a densidade de energia são tão diferentes da energia nuclear como a conhecemos.

19:33 – CA: E assim, para entender isso direito, isso envolve a construção no fundo do solo quase como uma espécie de coluna vertical de combustível nuclear, deste tipo de urânio gasto, e, em seguida, o processo começa no topo e funciona indo para baixo?

19:46 – BG: Isso mesmo. Hoje, você tem que estar sempre reabastecendo o reator, assim, é preciso um monte de gente e um monte de controles que podem dar errado, Essa coisa de abrir e movimentar. Isso não é bom. Então, se você tem combustível muito mais barato que você pode usar por 60 anos, pense nisso como um log, colocá-lo e não não ter essas complexidades. E ele só fica lá e queima por sessenta anos, e depois, pronto.

20:12 – CA: É uma usina de energia nuclear, que é a sua própria solução de eliminação de resíduos.

20:16 – BG: Sim. Bem, o que acontece com os resíduos, você pode deixá-lo lá. Há bem menos disperdício nesse tipo de abordagem, então você pode pegar isso e colocá-lo em outro e queimá-lo. E começamos pegando os resíduos que existem hoje, que está lá, nestas piscinas de resfriamento ou armazenados por reator. Esse é o nosso combustível, para começar. Então, a única coisa que tem sido um problema dos reatores é realmente o que é alimentado nos nossos, e assim, há uma redução do volume dos resíduos, de forma bastante dramática, ao longo desse processo.

20:48 – CA: Mas suas conversas com as pessoas diferentes ao redor do mundo, sobre essas possibilidades, onde há maior interesse em realmente fazer alguma coisa com essa?

20:55 – BG: Bem, nós não escolhemos um lugar em particular, e há todas essas regras de divulgação sobre tudo o que é chamado de nuclear. Então, tivemos muito interesse, de pessoas da companhias na Russia, Índia, China. Eu voltei para encontrar o secretário de energia daqui, para falar sobre como isso se encaixa na agenda de energia. Eu estou otimista. Os japoneses e franceses já fizeram algum trabalho. Esta é uma variante de algo que tem sido feito. É um avanço importante, mas é como um reator rápido, e muitos países já os construíram, então, quem já fez um reator rápido, é um candidato onde o primeiro será construído.

21:36 – CA: Então, você acha que há o calendário e a probabilidade de realmente criar algo desse tipo?

21:44 – BG: Bem, nós precisamos de, para uma dessas coisas em grande escala, geração de coisas eletrônicas, o que é muito barato. Nós temos 20 anos para inventá-las e depois de 20 anos para implantá-las. Esse é o tipo de prazo que modelos ambientais t~em demosntrados que precisamos chegar. E, você sabe, a Terrapower, se as coisas correrem bem, o que é desejar muito, poderia facilmente chegar a isso. E, felizmente, há agora, dezenas de empresas, mas precisamos que sejam milhares, que da mesma forma, se sua ciência correr bem, se o financiamento para as suas usinas piloto for bem, eles poderão competir para isso. E é melhor se muitos forem bem sucedidos, porque então, você pode usar uma mistura dessas coisas. Nós certamente precisamos que um seja bem sucedido.

22:28 – CA: Em termos de possíveis mudanças de jogo de grande escala, essa é a maior que você conhece por aí?

22:34 – BG: Um avanço da energia é a coisa mais importante. Teria sido, mesmo sem a restrição ambiental, mas a restrição ambiental somente torna isso muito maior. No espaço nuclear, existem outros inovadores. Você sabe, nós não conhecemos seus trabalho como conhecemos este, mas o pessoal do modular, esta é uma abordagem diferente. Há um reator de tipo líquido, o que parece um pouco difícil, mas talvez eles digam o mesmo sobre nós. E assim, existem tipos diferentes, mas a beleza disso é que uma molécula de urânio tem um milhão de vezes mais energia quanto uma molécula de, digamos, carvão, e assim, se você pode lidar com os pontos negativos, que é essencialmente a radiação, a planta e o custo, o potencial em termos de efeito sobre a terra e várias coisas, está quase em uma classe independente.

23:25 – CA: Se isso não funcionar, e então? Nós teremos que começar a tomar medidas de emergência para tentar manter a temperatura da Terra estável?

23:36 – BG: Se nós entrarmos nessa situação, é como se você comesse demais, e está prestes a ter um ataque cardíaco. Então, onde você vai? Você pode precisar de cirurgia cardíaca ou algo assim. Há uma linha de pesquisa sobre o que é chamado de geoengenharia, o que é várias técnicas que iriam atrasar o aquecimento em uns 20 ou 30 anos até que algo seja feito. Agora, isso é apenas uma apólice de seguro. Nós esperamos não precisar disso. Algumas pessoas dizem que não se deveria nem trabalhar nessa apólice de seguro porque pode nos tornar preguiçosos, e que continuaremos a comer porque sabemos que a cirurgia cardíaca estará lá para nos salvar. Eu não tenho certeza de que isso é prudente, dada a importância do problema, mas agora há a discussão sobre a geoengenharia Isso deveria estar guardado na manga no caso das coisas acontecerem mais rápido, ou essa inovação acontecer mais devagar do que esperamos.

24:25 – CA: os céticos do clima, se você tivesse uma ou duas frases para lhes dizer, Como você poderia convencê-los que estão errados?

24:35 – BG: Bem, infelizmente, os céticos se encontram em campos diferentes. Os que têm argumentos científicos são muito poucos. Eles estão dizendo que há efeitos negativos que têm a ver com as nuvens que contrabalançam as coisas? Há poucas, poucas coisas que eles até podem dizer, mas há uma chance em milhões de coisas assim acontecerem. O principal problema que temos aqui é como a AIDS. Você comete o erro agora, e você paga por ele muito mais tarde.

25:01 – E assim, quando você tem todos os tipos de problemas urgentes, a idéia de sentir uma dor agora, que tem a ver com um ganho mais tarde – e de alguma forma, uma dor incerta. De fato, o relatório do IPCC, que não é necessariamente o pior dos casos, e há pessoas no mundo rico que olha pela IPCC e diz: “Tudo bem, isso não é assim tão grande. O fato é que é a parte incerta que deve nos mover nesse sentido. Mas meu sonho é que, se você pode torná-lo econômico, e satisfazer as restrições de CO2, então, os céticos dizem que, ok, Eu não me importo que não se emita CO2, Eu meio que desejo a emissão de CO2, mas eu acho que eu vou aceitá-la porque é mais barato do que o que tinha antes. (Aplausos)

25:46 – CA: E assim, essa seria a sua resposta ao argumento de Bjorn Lomborg, que, basicamente, se você gastar toda essa energia para tentar resolver o problema do CO2, vai tirar todas as suas outras metas de tentar livrar o mundo da pobreza e da malária e assim por diante, [aquilo] é um desperdício estúpido dos recursos da Terra para se gastar dinheiro quando há coisas melhores que podemos fazer.

26:05 – BG: Bem, os gastos reais com o Recursos e Desenvolvimento, digamos que os E.U.A gastasse 10 bilhões a mais do que gasta agora, por ano, não é tão dramático. Não se deve tirar de outras coisas. Gastar dinheiro demais em algo, e isso as pessoas razoáveis podem discordar, é quando você tem algo que não é econômico e que você está tentando financiar. Isso, para mim, é um desperdício. A menos que você esteja muito perto e está financiando apenas a curva de aprendizado e ainda ficará muito barato. Eu acredito que devemos tentar mais coisas que tenham um potencial de ser bem mais barato. Se o trade-off que você entra é, vamos deixar a energia super cara, então os ricos podem pagar por isso. Quero dizer, todos nós aqui poderíamos pagar cinco vezes mais por nossa energia sem mudar nosso estilo de vida. A catástrofe é para aqueles dois bilhões de pessoas.

26:50 – E até Lomborg mudou. Sua reclamação agora é que o Recursos e Desenvolvimento não discute mais. Ele ainda está, por causa daquelas coisas anteriores, ainda está associado ao campo cético, mas ele se deu conta de que esse é um campo muito solitário, então, ele está fazendo o argumento do recursos e Desenvolvimento. E então, há uma discussão de algo que eu acho que é apropriado. O projeto de Recursos e Desenvolvimento, e como é tão pouco subsidiado.

27:15 – CA: Bem, Bill, eu suspeito que eu falo em nome da maioria das pessoas aqui quando digo que realmente espero que seu desejo se torne realidade. Muito obrigado.

27:21 – BG: Obrigado (Aplausos)

Fonte: www.ted.com/talks

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