Seminário propõe incorporar economia criativa à governança para desenvolver o país

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por ASCOM PSB Nacional em 26/03/2019.

Foto: Humberto Pradera

Leonelli afirmou que o Brasil ainda possui uma cultura industrial atrasada, sendo que o único projeto nacional de desenvolvimento econômico, social e cultural implantado é do final da década de 30 e início dos anos 50.

“A base do desenvolvimento industrial brasileiro era o que tinha de mais avançado tecnologicamente naquela época: o petróleo, o aço e a eletricidade”, informou. Foi nesse período em que o Brasil implantou a base de uma estrutura social e econômica com salário mínimo, com previdência social, a Biblioteca Pública Nacional, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e outras empresas e instituições fundamentais para a consolidação do Estado nacional.

“Depois disso não tivemos nenhum plano para o desenvolvimento nacional”, explicou. Entretanto, aponta o socialista, o mundo está mudando e as indústrias não são mais protagonistas da economia.

Para Leonelli, o PSB tem o desafio de encontrar a linguagem certa e adotar a economia criativa como bandeira que sirva à militância e às suas lideranças para avançar dentro dessa nova etapa do desenvolvimento nacional.

Para isso, durante sua apresentação, ele propôs um modelo de governança e a forma de adotá-lo em gestões municipais e estaduais do PSB, já pensando nos candidatos que disputarão as eleições em 2020 e 2022.

Foto: Humberto Pradera

Cláudia Leitão, doutora em Sociologia pela Universidade de Sorbonne, em Paris, também defendeu que o Estado brasileiro, os governos e as prefeituras fomentem a economia criativa. “Eles precisam otimizar e potencializar isso para termos resultados mais efetivos para melhorar o PIB do país, para a renda per capita, para o IDH, o Índice de Gini e para tantos outros indicadores que apontam que a desigualdade no Brasil está abissal”, disse.“A economia criativa não será realizada como projeto se não envolver governos, empresas, academia e comunidade”, afirmou, destacando que o novo modelo de gestão precisa ser “transversal, flexível e transparente”.

A economia criativa precisa ser transversal e a governança é a base de tudo, segundo Cláudia, em uma sociedade frágil que já não acredita em melhorias e tem dificuldade de se colocar diante do abismo entre ela e o governo. “Precisamos pensar uma nova forma de gestão pública e isso significa que pra ser criativo é preciso inovar na gestão pública, senão não adianta, nós ficaremos chovendo no molhado”.

Segundo a socióloga, o tema da economia criativa ainda é mal compreendido pelos partidos, pelos governos e pela própria sociedade. Por isso, destacou que o seminário realizado pelo PSB é importante para levar a discussão aos Estados e municípios. “Isso tem que correr como a água num rio. Nós precisamos descentralizar, discutir e difundir, criar uma pedagogia, como PSB está fazendo, para falar desse tipo de desenvolvimento baseado na economia criativa”.

Atualmente, Cláudia dirige o Observatório de Fortaleza (Governança Municipal e Políticas Públicas) do Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor). Durante o seminário do PSB, ela apresentou o Plano Fortaleza 2014 como seu case de desenvolvimento para a cidade que é a 5ª em maior população do Brasil, com mais de 2,643 milhões de habitantes.

Foto: Humberto Pradera

A pesquisadora apresentou dados que demonstram a extrema precariedade do Estado do Ceará e de sua capital. Fortaleza possui 856 assentamentos precários, onde vivem 40% da população em um território que representa apenas 12% da área da cidade. “São locais onde não têm escolas, saneamento, saúde, mas tem violência e milícia”, lamenta.

A capital é a segunda com a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de Rio Branco (AC). É ainda a 9ª capital mais desigual do Brasil em renda e a 11ª com a maior proporção de pobres. Entretanto, o Ceará é o 3º Estado com o maior número de milionários, segundo a Revista Forbes.

“Fortaleza resolveu se planejar recentemente, em 2015. Para a elaboração do Plano, foram ouvidas 10 mil pessoas e é muito difícil produzir, implantar, monitorar e fazer com que ele realmente aconteça e seja instrumento transformador ouvindo uma pequena parcela da população. Mas, ainda assim, estamos conseguindo pensar e desenvolver uma Fortaleza melhor”, explicou.

No Ceará, segundo Cláudia, a criatividade surgiu pela necessidade das pessoas em empreender para sobreviver. “Como é um Estado muito pobre, as pessoas precisam encontrar outra forma de viver e é por isso que estamos desenvolvendo esse projeto de economia criativa, que é empreendedora, colaborativa, inclusiva”.

O ex-senador João Capiberibe (PSB-AP) também concordou que o país vive uma profunda crise com o distanciamento entre governantes e governados. Para ele, é preciso ampliar a democracia por meio da participação popular.

Foto: Humberto Pradera

Capiberibe citou o Projeto de Lei sobre gestão compartilhada, de sua autoria, como exemplo de política pública nesse sentido a ser implementada nos planos de governança de Estados e prefeituras. Por meio dele, os cidadãos podem se organizar em grupos de aplicativos de celular para acompanharem projetos e mandatos nas esferas estadual e municipal.

“Esse projeto é para mobilizar o cidadão pela base para que ele se interesse por aquilo que é dele. Só assim teríamos como aprofundar a democracia porque ela se dá pela participação do cidadão na distribuição do orçamento público e na riqueza gerada no país”, falou.

O socialista ainda complementou que a economia criativa precisa se tornar um projeto político do Brasil e o PSB será o primeiro partido a promover esse debate na sociedade e a levar esse tema para as campanhas eleitorais dos próximos anos.

Fonte: www.fjmangabeira.org.br

 

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