Ricardo Mucci

Informações: Bacharel em Jornalismo pela Fundação Armando Álvares Penteado e Mestrando em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo é sócio proprietário da Umana – Comunicação Inteligente. Redator e Diretor de Criação em Publicidade e Assessoria de Comunicação; Repórter do Jornal Última Hora e Revista Manchete; Editor de Telejornais da TV Cultura de S. Paulo, Rede Globo de Televisão, Rede Bandeirantes de Televisão; Diretor de Novas Mídias da Fundação Padre Anchieta; integrante do Grupo de Trabalho que assessora o Governo do Estado na formulação de políticas públicas para Economia Criativa

 


 

CAMPANHA CRIATIVA

A campanha eleitoral de 2018 vai exigir muita criatividade de todos os protagonistas, em especial dos candidatos e dos marqueteiros. Vários são os fatores que merecem atenção e vamos explorar aqui os que me parece vão exercer maior impacto eleitoral.

Descrédito na classe política: este é um fator determinante que vem se amplificando a cada ano, reforçando a ideia de que governos e políticos não dialogam mais com o eleitor. E os motivos são muito evidentes: corrupção, incompetência, interesses pessoais, ganância e por aí vai.

Lava-jato e similares: o desencadear dessas operações vem causando danos políticos exponenciais, ora pelos excessos ora pela conivência do judiciário, que não aplica a lei da mesma forma para todos os investigados, acusados e condenados. Muitos candidatos vão emergir ou submergir de acordo com seu envolvimento nesses processos.

Lei eleitoral: ainda estamos distantes de uma legislação justa e moderna, onde eleitores e eleitos possam estabelecer uma relação de confiança proativa. É fato que as mudanças da lei em vigor abrem boas perspectivas para comunicação digital, mas limitam os gastos e o tempo de rádio e TV, obrigando uma revisão estratégica nas campanhas em curso, que até momento estão à deriva.

O papel dos partidos: a cada eleição que passa, fica claro que os partidos precisam se reinventar para conquistar o eleitor. As ideologias hoje se confundem com as causas, que mobilizam indivíduos, grupos e multidões.  O acesso ao eleitor se dá através de múltiplas plataformas on e off line, tornando essa revisão não apenas necessária, mas vital para sobrevivência dos partidos.

O Congresso Nacional: por aqui não basta eleger o presidente, é preciso assegurar a maioria de votos no Senado e na Câmara, pois caso contrário o presidente se torna refém do legislativo, prática esta que tem provocado danos e distorções severas à governabilidade do país. A solução está nas mãos do eleitor, que precisa ser mais rigoroso na escolha de seus candidatos e, nesse contexto dois fatores são fundamentais: educação e acesso à informação confiável, dois insumos que andam muito escassos nos dias de hoje.

O eleitor:  no duelo pelo voto, esta eleição traz consigo um desafio incomum em relação às anteriores, pois o Brasil nunca esteve tão dividido quanto nos dias de hoje, a ponto de produzir uma quantidade surpreendente de candidatos conservadores, enquanto o campeão de votos continua preso. Coisas do Brasil. O eleitor está diante de uma enorme interrogação e quem souber dar a melhor resposta vai levar vantagem e é aí que mora o perigo.

Pesquisas: a pesquisa deixou de ser um mecanismo para tomada de decisão, para se converter numa mercadoria: quem paga mais, leva mais. Daí que a grande maioria delas é desacreditada. Porém, elas ainda exercem um certo fascínio nas campanhas, afinal ninguém gosta de apostar em quem não tem chances de chegar. A boa notícia é que outros instrumentos de avaliação entraram em cena, fortemente apoiados na tecnologia digital, como games, bots, redes sociais, entre outros mecanismos. Quem souber administrar os ambientes interativos vai levar vantagem, ainda que este universo seja monopolizado pelos jovens.

Crise econômica e escalada da violência: estes dois fatores vão impactar sobremaneira a decisão do eleitor, que está vendo o Brasil à deriva sem um comandante a altura do país e dos problemas que devem ser superados. Por isso, é fundamental que os candidatos ofereçam respostas críveis e tangíveis para o eleitor, já que a opção do voto é mais emocional que racional e, neste contexto, o ambiente social exerce forte influência em sua decisão.

O resumo da ópera dessa confusão toda é que a eleição de 2018 pode se tornar um divisor de águas, para o bem ou para o mal. Ouço por aí muita gente dizer que pode mudar de país, dependendo do resultado da eleição. Muitos são descrentes convictos, pois o Governo Temer frustrou as expectativas. Há um grande contingente que tem esperança de que Lula seja libertado para disputar a eleição e outros sonham com um futuro melhor, sem saber que cara ele vai ter. Surpreende a manifestação de eleitores defendendo a volta dos militares, ou seja: o cenário está poluído de dúvidas. Nós, profissionais de comunicação, temos que colaborar para desanuviar o ambiente, trabalhando para que o Brasil retome o caminho do desenvolvimento e da justiça social e isso passa obrigatoriamente pela eleição.  Então, mãos à obra. Vamos botar a criatividade para funcionar, para evitar que os danos sejam irreparáveis e que as futuras gerações não percam a fé no futuro do Brasil.

Ricardo Mucci

 


 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here