Economia Criativa Indígena: conheça o Instituto Kabu

Stand do Kabu no Acampamento Terra Livre

Durante o Acampamento Terra Livre, o encontro anual dos povos indígenas que ocorre em Brasília, há uma tenda pequena de madeira, logo ao lado do Posto da Saúde, mas movimentada a todo momento. Lá estão alguns representantes do Instituto Kabu, apresentando os Produtos da Sociobiodiversidade. A organização, criada pelo povo Kayapó Mekrãgnoti, é um exemplo significativo para a sustentabilidade e a Economia Criativa.

São 11 aldeias produtoras localizadas em Baú e Mekrãgnoti, no sul do Pará. O Instituto Kabu realiza com essa população um trabalho que desenvolve a geração e distribuição de renda sustentável e comunidades etno produtivas, ou seja, que produzem com base na sua etnia e cultura. “São mais de 300 famílias beneficiadas”, afirma Dulciane de Sousa Silva, gestora do instituto.

Pulseiras, cestas, camisetas, aventais, arco-flechas e as alpargatas kayapó, pintadas a mão, são alguns dos artefatos. As técnicas, que são ensinadas dos mais velhos aos mais novos, têm como base matéria-prima e reciclável. Os homens produzem os utensílios, as peças de rituais e itens decorativos. Já as mulheres, ou “mênires”, que é como se autonomeiam, fabricam as miçangas, os aíns (suporte para bebês) e fazem pinturas. Além dos produtos artesanais, o trabalho com alimentos é presente também, como por exemplo a farinha e a castanha. Os Kayapós não só produzem, eles são responsáveis por avaliar a qualidade de tudo e definir por qual preço serão vendidos.

E então entra em ação o Instituto Kabu com a gestão, definindo o que deve ser comprado, os pontos de vendas, repassando valores, toda a parte mais administrativa. O lucro gerado é totalmente revertido para as aldeias.

Essa é uma forma de garantir empregos dentro da própria comunidade, que protege mais de 6 milhões de hectares de floresta amazônica. Gera autonomia sem agredir o meio ambiente e ainda valoriza as práticas e a cultura da etnia.

As vendas são feitas pelo próprio site do Instituto Kabu, que no momento está em manutenção, e em feiras, exposições e eventos. Em Brasília, estarão presentes na 6ª Conferência Nacional de Saúde Indígena, do dia 27 a 31 de maio, e em setembro, no lançamento do livro sobre as mulheres kayapós, destacando o protagonismo destas.

 

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