Paola Publio

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A artista plástica Paola Publio revela-se em cores e linhas no seu trabalho traduzindo na sua busca dos movimentos em ritmos, onde a pintura traz traços do seu efervescente cotidiano, entre as máquinas do mundo moderno e o seu encontro com as tintas, pincéis e cores espalhadas por todos os cantos da sua ancestralidade. Seu ritmo e ideias também estão ligadas ao artista Edson da Luz que traduz suas experiências pelos estudos Etsedronianos, que nos revelou na década de 60 e 70 o movimento Etsedron – um anagrama em que a palavra Nordeste é escrita ao contrário. Paola Publio, nascida em Petrolina, criada na Bahia, morou na Europa (Inglaterra, Itália, França e Grécia). Mãe inglesa, pai brasileiro, avô indiano, agora se mistura neste clima de Mandalas e vivências transcendentais trazidas pelo tempo.


Para Paola Publio esse desenho preciso, disciplinado, harmônico, contido, intenso, perfeito, se mostra caminho de sua própria interrogação espiritual bem como uma irradiação de uma ancestralidade. Brasileira de Petrolina, de mãe anglo indiana, Paola leva essa ancestralidade em seus olhos do rosto e naqueles da alma. A busca de uma fusão entre a forma e o intangível do divino por meio da mandala surge espontaneamente de algum remoto arquivo interior evocativo da circularidade de Shiva ou da cosmogonia de Buda. Mandalas sempre foram objeto ritualísticos, pontos focais para meditação no Hinduísmo, no Budismo, no Ioga, nas praticas do Tantra.

As cores

As cores desempenham um papel importante na nossa percepção visual, uma vez que influencia nossas reações sobre o mundo que nos rodeia. A Cor não é um fenômeno físico. Um mesmo comprimento de onda pode ser percebido diferentemente por diferentes pessoas (ou outros seres vivos animais), ou seja, cor é um fenômeno fisiológico, de caráter subjetivo e individual.

A Mandala

Mandala significa circulo em palavra sânscrito. Circulo de concentração de energia, e universalmente é o símbolo de integração e harmonia. Elas são utilizadas por diversas civilizações ao longo dos séculos, por seu significado e por todo o seu potencial terapêutico. Quando criamos ou contemplamos uma mandala ativamos forças inconscientes que buscam o nosso equilíbrio psíquico.

“A mandala possui uma eficácia dupla: conservar a ordem psíquica se ela já existe; restabelecê-la, se desapareceu. Neste último caso, exerce uma função estimulante e criadora.” Carl G. Jung.

A mandala carrega em si toda a simbologia do divino, da totalidade, do cosmos. A forma redonda toca apenas com alguns pontos a terra, toda a sua força é para o alto e para o centro como um girassol e os anéis das árvores, cujos espirais representam o Universo. É uma “imagem do mundo”, uma manifestação do Divino no espaço.

Ao pintar uma mandala estou construindo uma forma que informa e transforma aquele que a vê, despertando nele uma referência cósmica. As reações diante de uma mandala serão sempre particulares, individuais. Cada um entenderá o jogo de formas e cores de acordo com o seu próprio estado de espírito. De acordo com a sua maneira única de falar com Deus. “Quando pinto uma mandala eu saio do ponto para o universo….e volto para o ponto”.

O sagrado do catolicismo materializado na arquitetura majestosa do  convento do Carmo em Cachoeira da Bahia e o sagrado das deusas ancestrais das águas do Paraguassú receptáculo de oferendas aos orixás. É nesse entroncamento pleno de significados que cria e recria imagens fundamentais para todos os sagrados: o círculo, a roda, a geometria visível da unidade do divino, de sua imanência sem princípio nem fim, onde tudo começa e acaba num mesmo ponto.

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“Os humanos participam dessa dança cósmica, movidos por um fluxo de energia sagrada” Heráclito, século V a.C..

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