FRANS KRAJCBERG

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por redação Socialismo Criativo em 23/11/2018.

A arte-denúncia do artista ambientalista

Obra A Flor do Mangue, decada 1970, de Frans Krajcberg. Reproducao fotografica Romulo Fialdini.

A arte vista nas formas da natureza é a marca de Frans Krajcberg, polonês que chegou ao Brasil em 1948, aos 27 anos de idade. Em sua carreira, pode ser reconhecido como escultor, gravador, pintor, fotógrafo. Antes de sair da Europa, estudou engenharia e artes na antiga Universidade de Leningrado (atual Universidade Estadual de São Petersburgo), na Rússia, de onde se mudou por força da Segunda Guerra Mundial. Foi morar na Alemanha, onde ingressou na Academia de Belas Artes de Stuttgart.

Em Nova Vicosa, na Bahia, Frans Krajcberg construiu um museu de arte e defesa da natureza. Foto de Leonardo Aversa.

Encontrou, no Brasil, um sentido para uma arte de viés ativista em prol da preservação ambiental. Poucos anos após sua chegada ao país, fez uma imersão no interior do Paraná, em uma floresta. Naquele período, participou da 1ª Bienal Internacional de São Paulo (1951) – com duas pinturas –, traçando o reconhecimento de sua carreira. Em 1956, seguiu para o Rio de Janeiro, onde morou por dois anos, até iniciar uma alternância de residência com mais duas cidades: Paris (França) e Ibiza (Espanha). Em 1957, foi naturalizado brasileiro e, 15 anos depois, instalou-se em Nova Viçosa, município no litoral do extremo-sul da Bahia.

Obra sem titulo. 1965, Frans Krajcberg.

A relação de Krajcberg com a preservação dos ambientes naturais motivou-o a estar em regiões de floresta no Brasil, principalmente na Amazônia, onde fotografou cenas de degradação ambiental, desmatamentos ou queimadas. Essas se tornariam, com o tempo, as principais matérias-primas para suas obras e uma bandeira que sinalizava a necessidade de se defender o meio ambiente.

Peca da 1988 – Reproducao fotografica de Frans Krajcberg.

No período que esteve entre a França e a Espanha, na década de 1950, produziu trabalhos em papel japonês modelado sobre pedras e pintados a óleo ou guache, remetendo, seu resultado, a paisagens vulcânicas. Seu trabalho “terras craqueladas”, com pigmentos extraídos de terras e minerais locais, trazia a natureza de forma mais expansiva às obras, dando suas primeiras definições da essência artística que o conectaria às causas ecológicas. Nos anos seguintes, já de volta ao Brasil, desenvolveu, em Minas Gerais, as “sombras recortadas”, que traziam cipós e raízes a madeiras recortadas.  Ao mudar-se para a Bahia, em 1972, continuou os projetos iniciados em Minas, criando a série “Africana”, que se tornou, então, uma referência: esculturas feitas a partir de troncos e raízes associados a pigmentos minerais. “Quero que minhas obras sejam um reflexo das queimadas. Por isso uso as mesmas cores: vermelho e preto, fogo e morte”, dizia.

Obra-Troncos-Amazônico-sem-data.-Frans-Krajcberg.

Em Curitiba, Paraná, foi fundado o Instituto Frans Krajcberg, em 2003, com um acervo de mais de cem peças do escultor. Seis anos depois, Krajcberg e o Governo da Bahia acordaram a implantação de um museu-fundação em Nova Viçosa. Assim, foram doadas ao Estado cerca de mil obras e o sítio onde artista residia para que, futuramente, fosse aberto ao público o espaço de arte batizado de Museu Artístico e Ecológico Frans Krajcberg.

Peca-da-decada-de-1980-Reproducao-fotografica-de-Frans-Krajcberg.

O fotógrafo e escultor que construiu sua carreira arraigada à natureza encontrou, na paisagem do Brasil, fontes ricas para pesquisa e inspiração artística. Frans Krajcberg faleceu em 15 de novembro de 2017.

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