Flávio Luiz

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por redação Socialismo Criativo em 05/02/2019.

Em 30 de janeiro, é comemorado o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos. O Socialismo Criativo então faz uma homenagem ao cartunista que, com bom humor e muitas histórias e estórias, transformou-se em um dos maiores nomes do HQ do Brasil.

A paixão por histórias em quadrinhos que Flávio Luiz tem desde a infância foi transformada em profissão: ele virou cartunista, desenhista, chargista. Trabalhou como ilustrador para agências de publicidade e blocos de carnaval em Salvador, em meados dos anos 1980, mas seu currículo é composto, sobretudo, de nomes como , o capoeirista, O Cabra, Jayne Mastodonte e Rota 66 e Jab, um lutador. São personagens e tirinhas criados pelo quadrinista, que já conquistou mais de 40 prêmios em salões de Humor por suas produções.

“Cresci na época em que assistir a desenho animado e ler gibi era o que os ‘CDFs’, Nerds como eu, faziam, além de tirar boas notas e ‘levar fora’ das meninas mais bonitas da sala [risos]. A memória mais antiga e cristalina que tenho da minha relação com gibis é a de eu estar no braço de meu irmão mais velho optando por  ganhar um gibi no lugar de um acarajé em  julho de 1969”, lembra com descontração.

Entre os momentos que considera marcos em sua carreira estão o primeiro prêmio na categoria Cartoon do Salão de Piracicaba, em 1994, e, 16 anos após, o na categoria Charge, no mesmo concurso; o primeiro HQMIX – a premiação mais importante do mercado de HQ Brasileiro –, pela edição independente com Jayne Mastodonte. Também pode ser destacado seu trabalho no Carnaval de Salvador de 1998, quando desenhos e caricaturas compuseram a decoração da festa, inclusive foi criado o personagem símbolo naquele ano, o Alegria.

Outro destaque de Flávio Luiz: “Ser o primeiro autor de HQ independente brasileiro a ter um stand no Balcão de Negócios do Festival international de la bande dessinée d’Angoulême, na França, em 2016, com direito a palestra sobre HQ Nacional e onde pude doar publicações minhas e de outros 30 autores brasileiros para a Biblioteca de BD de Angoulême, uma das mais importantes da Europa”, lembra.

Além de estar na França, seus trabalhos também fazem parte dos acervos do Museu of Cartoon Art – Boca Raton (Flórida, EUA), Gibiteca do Henfil (São Paulo-SP), Word & Pictures Museum (Massachussets, EUA). Flávio Luiz colaborou com edições de revistas como Bundas, Pasquim 21, Maquina Zero, Fronteira Livre e Imaginário.

Seus personagens

Cotidiano, fatos históricos, política, afetividades, memória. O que há, em seu processo imaginativo, que direciona Flávio Luiz à criação dos personagens e das histórias?  “Existe um pouco de tudo isso, mas costumo dizer que parto sempre do personagem, da criação do personagem e que esse personagem, sim, me conta sua história. O fato de ter feito dois anos de capoeira me inspirou à criação do Aú,o capoeirista; um ano de boxe me levou ao Jab, um lutador. Sonhar em ainda atravessar a Rota 66 – nos EUA – me levou à criação da tirinha de mesmo nome. Ver como as personagens femininas eram retratadas nos anos 1990 me levou à quebra do estereótipo com a Jayne Mastodonte etc”, diz. “O Aú, por sinal, é o único quadrinho a receber o Berimbau de Ouro até hoje. Foi em 2015. A premiação é importante no ramo da capoeira por valorização e difusão da capoeira”, completa.

A construção do repertório de Flávio Luiz lega-nos com seus personagens histórias e traços da cultura nacional. “Costumo ler muito e sobre tudo. Mais sobre coisas reais do que ficção. Então tenho um bom arquivo de informações que podem me levar à criação de personagens e roteiros de HQ. Essa riqueza de informações me ajudou, também, no trabalho como chargista.

Em 2018, Flávio Luiz lançou sua mais recente produção: o Agente Sommos e o Beliscão Atômico. A HQ foi inspirada no James Bond, é uma espécie de versão do 007, e narra as desventuras do personagem homônimo, com referências à estética cafajeste dos anos 70, ainda que se passe nos anos 2000. Agente Sommos resgata a tradição de um humor nonsense, leve e com piadas, muito inspirado em publicações como a revista norte-americana Mad. “Sommos se acha o maioral, mas é atrapalhado e desatento, o que não o impede de se dar muito bem na resolução de suas missões”.

Além do perfil artístico, Flávio Luiz vem trabalhando um lado empreendedor, em companhia da sócia e esposa, Lica de Souza. De forma independente, através de sua editora Papel A2 Texto e Arte, é o primeiro autor brasileiro a apostar em um formato europeu para suas publicações – com capa dura –, em 2008, quando lançou, em seis capitais brasileiras, o álbum com histórias de Aú ,o capoeirista. em 2008. O artista negocia títulos autografados. Os interessados podem contatá-lo através do email flavioluizcartum@uol.com.br.

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