Arte rupestre: Cerâmica da Serra da Capivara, melhor projeto de sustentabilidade do Brasil.

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em 23/07/2018. 

A Cerâmica Serra da Capivara ganhou, em 2008, o prêmio de melhor projeto de sustentabilidade do país. Hoje, as peças são produzidas em larga escala e exportadas principalmente para a Itália, e também para Portugal e Espanha. 

O trabalho nasceu do sonho de proporcionar uma vida melhor à comunidade. É fruto de uma parceria da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham) e a instituição italiana Terra Nuova para a produção de cerâmica artesanal. Em 1992, especialistas italianos e brasileiros catalogaram mais de 40 tipos de argila da região até chegar à mistura ideal. Depois das pesquisas, veio a fase de formação de jovens e adultos habitantes de Barreirinho.

Na pequena fábrica, situada no entorno da serra, é possível comprar cerâmica de qualidade a preço acessível e ouvir histórias dos tempos que antecederam a criação do parque. Com argilas selecionadas da região, copos, pratos, jarras, xícaras e variados artigos para decoração são modelados e pintados por artesãos locais. “Cada peça é única e os desenhos fazem releitura da arte rupestre”, diz Girleide Maria de Oliveira, administradora do empreendimento.

Atualmente, a Cerâmica Serra da Capivara é uma empresa de responsabilidade ecológica e social, e vários detalhes evidenciam isso. A extração da argila usada na fabricação das peças, por exemplo, procura causar o mínimo de impacto na natureza. O material é retirado de barreiros, um tipo de açude que acumula água durante o período de chuva. À medida que eles vão secando, o barro é retirado, o que ajuda ainda na prevenção do assoreamento do poço. Além disso, a tinta usada nas peças é à base de corantes naturais. E os fornos utilizam gás ao invés de lenha, para preservar a vegetação nativa.

Todo esse trabalho só foi possível graças ao gesto de um homem simples Sr. Nivaldo que doou três alqueires de terra para a instalação do projeto. Ele trabalha ao lado dos artesãos da cerâmica e, em poucos minutos de conversa, percebe-se que se trata de alguém especial.

O ceramista Nivaldo Coelho de Oliveira, de 84 anos, é o mais antigo funcionário na fábrica de cerâmicas produzidas artesanalmente na Serra da Capivara. Para o ministro da Cultura, Roberto Freire, é preciso preservar a tradição e estimular a Economia da Cultura na região: “Um local como esse é um destino importante para a cadeia produtiva, um grande ganho para o Nordeste, com expressões culturais e turísticas que terão efeitos econômicos muito grandes no polígono das secas”.

A importância histórica e cultural do Parque Nacional da Serra da Capivara tornou-se indiscutível após descobertas de vestígios pré-históricos sobre a origem da humanidade. A assinatura de um termo de cooperação para a gestão compartilhada do parque pelo Ministro da Cultura, Roberto Freire, vai além da preservação, para as futuras gerações, de um retrato da história da humanidade. Trata-se de uma possibilidade de desenvolvimento econômico para uma das regiões mais pobres do País, o sertão nordestino.
“Hoje sabemos que a Economia da Cultura, envolvendo também o turismo, será um dos setores que mais irá crescer. Um local como esse é um destino importante para a cadeia produtiva, um grande ganho para o Nordeste, com expressões culturais e turísticas que terão efeitos econômicos muito grandes no polígono das secas”, defendeu freire. A afirmação foi feita durante visita ao Museu do Homem Americano, localizado dentro do parque nacional. O museu abriga parte do patrimônio histórico descoberto a partir de escavações nos sítios arqueológicos da região.

A caneca de cerâmica da Serra da Capivara foi feita artesanalmente por comunidades que buscam resgatar a cultura do local. Lá se encontra um parque arqueológico com riqueza de vestígios deixados há milênios. O processo produtivo segue critérios de sustentabilidade e não utiliza trabalho infantil. Além disso, a tinta usada é à base de corantes naturais. Os produtos artesanais Serra da Capivara são desenvolvidos por comunidades locais, gerando renda e resgatando a cultura da região. Eles já receberam diversos reconhecimentos, inclusive o prêmio do CEBDS, como comunidade empreendedora sustentável. Em todo processo produtivo não existe trabalho infantil e critérios de sustentabilidade são seguidos rigorosamente. A tinta usada nas peças são à base de corantes naturais, como o urucum.

 

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