“A Esquerda brasileira tem um grande déficit de pensamento estratégico”, analisa pesquisador.

0

por Informe Baiano em 23/11/2018.

Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e um dos principais especialistas no assunto sobre relações políticas e econômicas da China, Elias Jabbour afirmou, nesta quinta-feira (22), em Salvador, que a Esquerda brasileira possui um déficit de pensamento estratégico e que isso contribuiu para a derrota na última eleição e para o avanço de uma onda conservadora no país. Jabbour foi o principal conferencista do encontro “China: Socialismo Criativo?”, realizado no Portobello Ondina Praia Hotel (em Ondina, Salvador) e coordenado deputado constituinte Domingos Leonelli, que atualmente preside o Instituto Pensar (instituição realizadora do evento).

Foto: Roberto Viana.

“Falamos pouco em produção do trabalho e mais em inclusão e outras pautas”, afirmou Jabbour.

Para o professor, a China foi o país que apresentou a maior evolução industrial do século XX. Ele considera o Socialismo de Mercado como a nova formação econômica e social e chamou a atenção para o crescimento do setor estatal, na China, a partir de 2009. “A reação chinesa à crise de 2008 converteu seu próprio setor produtivo em indústria-chave, fazendo desaparecer 59 estatais e surgir 149 conglomerados com a participação do Estado”, disse. Jabbour sinalizou, ainda, que a presença de dezenas de bancos de desenvolvimento é fundamental para o sucesso da economia chinesa. Para ele, a eleição de Jair Bolsonaro é um tiro de morte no projeto brasileiro de Nação. “É uma derrota estratégica”, contou.

Durante o encontro – que contou com a presença de parlamentares e dirigentes do PSB, PSOL e PC do B como a senadora Lidice da Mata, o deputado federal constituinte Haroldo Lima e os estaduais Angelo Almeida, Fabíola Mansur, Olivia Santana, bem como o presidente estadual do PSOL, Fábio Nogueira -, Elias Jabbour criticou a Operação Lava-Jato e disse que a proibição de empresas brasileiras de participarem de licitações é um crime de lesa-pátria. Já Domingos Leonelli considera que a corrupção criou uma super mais-valia nas relações entre empresas e Poder Público.

Para a professora Elsa Kraychete, da Universidade Federal da Bahia, a China tem um projeto de Nação e caminha para ser uma superpotência mundial. “Lá, os professores saem para estudar fora para construir o País e não alavancar a própria carreira. A China ainda tem problemas internos como questões étnicas e regionais”, contou. Sobre a política externa adotada pelos chineses, ela descartou a possibilidade de embates bélicos com outras nações. “Não interessa ao governo chinês entrar em conflitos agora. Isso é normal nas potências que estão se constituindo. Eles escolheram o caminho da diplomacia, pelo menos, neste primeiro momento”, explicou.

Já a senadora Lídice da Mata defendeu que os brasileiros têm que pensar nos próprios desafios, aprendendo com os chineses, bem como manter os laços culturais com o povo e fazer isso de forma estratégica.

Sobre a questão que norteou a realização do encontro, Elias Jabbour declarou: “A Economia Criativa é a quarta Revolução Industrial”.

www.informebaiano.com.br

Veja também

COMPARTILHAR

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here